Entre Desafios e Frustrações: o Exercício da Análise Institucional nas Escola

Entre Desafios e Frustrações: o Exercício da Análise Institucional nas Escola
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Resumo: O presente trabalho propõe uma reflexão a partir de uma experiência de estágio supervisionado em Psicologia Escolar realizado pelas autoras em diferentes escolas, localizadas em município da região norte do estado do Rio Grande do Sul. O estágio foi realizado no período letivo do ano de 2012, envolvendo atividades junto a séries iniciais, aos representantes de turma e junto aos professores e pais. A metodologia de análise das relações dentro da escola, espaço dinâmico onde se dá a prática do psicólogo escolar, foi a partir dos institucionalistas Bleger e Lapassade, visto que seus conceitos teóricos se aplicam dentro desta realidade. Com base nessas perspectivas, acredita-se que a escola deveria ser um lugar para o pensar, para a reflexão, para o saber. No entanto, constatou-se na experiência realizada, que o instituído acaba tolhendo a liberdade de expressão de seus integrantes impondo suas verdades, como verdades absolutas, ou seja, temos uma instituição conservadora, hierarquizada, onde práticas instituintes, na maioria das vezes, acabam sendo instituídas. Ao vivenciar esta experiência, conclui-se que os objetivos alcançados nem sempre são o que a escola espera, encontramos uma instituição muito burocrática, amarrada e presa a velhos conceitos, crenças e mitos que fazem parte daquela comunidade que está inserida, bem como os valores da cultura de uma população, uma equipe diretiva subordinada a uma Coordenadoria Regional de Educação.

Palavras-chaves: Análise Institucional, Instituição Escola, Bleger, Lapassade.

1. Introdução

A escola é uma instituição de fundamental importância na construção do sujeito, tanto com conteúdos, matérias e disciplinas que auxiliarão no desenvolvimento de sua vida profissional quanto na constituição de sua subjetividade. É na escola que ocorrem as primeiras trocas fora da família, onde se aprende a se relacionar melhor com o outro, escutar e compreender o outro, respeitar as diferenças, conviver em grupo, portanto, a escola é de suma importância para o desenvolvimento de habilidades intelectuais, sociais e pessoais. A escola configura-se como um espaço estrutural, cultural e institucional sendo que estas três dimensões interagem e influenciam-se mutuamente, conforme a resolução nº 4 de 13 de julho de 2010 que define diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação básica em seu artigo 7º define que a concepção de educação deve orientar a institucionalização do regime de colaboração entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios no contexto da estrutura federativa brasileira, (...) para assegurar efetividade ao projeto da educação nacional, vencer a fragmentação das políticas públicas e superar a desarticulação institucional (BRASIL, 2012).

Neste sentido, o presente trabalho propõe uma reflexão a partir de uma experiência de estágio supervisionado em Psicologia Escolar realizado pelas autoras em diferentes escolas, localizadas em um município da região norte do estado do Rio Grande do Sul, e com base nos aportes teóricos de Bleger e Lapassade discutidos e analisados na disciplina de Psicologia Institucional, a qual objetiva oferecer ao aluno a possibilidade de conhecer diferentes abordagens institucionais e as diferentes intervenções destes referenciais teóricos observando e contextualizando os diferentes conflitos nas relações institucionais, procurou-se analisar as perspectivas que a análise institucional nos oferece no ambiente escolar.

2. Bleger e Lapassade revistos a partir de Experiências de Estágio em Escolas:

O ambiente acadêmico constitui-se como um espaço de reflexões, discussões, pensamentos e observações, as quais proporcionam o conhecimento científico, teórico e prático de maneira natural e instigante. Assim surgiu a idéia de realizarmos este trabalho como uma união de todo o conhecimento adquirido durante o semestre com teorias de Bleger e Lapassade, além de nossa experiência de estágio em uma instituição, no caso, uma escola.

Primeiramente é preciso diferenciar psicologia institucional e psicologia em uma instituição, de acordo com Bleger (apud GULA, 2007) a psicologia na instituição é quando o psicólogo é empregado desta e executa as tarefas determinadas pela própria instituição, já o psicólogo institucional projeta sua tarefa em função do diagnóstico efetuado onde sua tarefa não será de decidir ou resolver os problemas da instituição nem executar as ações decididas pelos grupos.

Bleger (1984) propõe uma atuação profissional que extrapola os limites do consultório e lida com a saúde mental ou com a psico-higiene nos grupos e nas atividades de vida diária.

Ainda segundo o autor, a primeira coisa que um psicólogo deve fazer quando decide trabalhar numa instituição como hospital, escola, fábrica, etc. é não abrir um consultório em atenção aos doentes que integram a instituição. Sua primeira tarefa será investigar e tratar a própria instituição, seu cliente mais importante (BLEGER, 1984). O autor já dizia que a saída dos consultórios não é só uma variação do trabalho psicológico, é, sobretudo, uma necessidade social.

De acordo com Bleger (1984), o psicólogo deve agir fundamentalmente como assessor ou consultor em instituições públicas ou privadas que tem frequentemente problemas de desajuste social, emocional e administrativo que travam a sua ação e eficiência.

O objetivo do psicólogo no campo institucional é de psico-higiene: conseguir a melhor organização e as condições que tendem a promover saúde e bem-estar dos integrantes da instituição (BLEGER, 1984). Sendo o psicólogo um técnico da relação interpessoal ou dos vínculos humanos, além de ser o técnico da explicitação dos implícitos, ajudando a compreender os problemas e todas as variáveis possíveis dos mesmos, porém ele próprio não decide, não resolve nem executa, deixando a solução e execução nas mãos dos organismos próprios da instituição (BLEGER, 1984).

Lapassade (apud GUIRADO, 2009) concorda com Bleger e afirma que o que se deve fazer é a Ação Direta (análise em ato), pelos sujeitos que constituem os grupos de uma determinada instituição, com as lideranças nascidas de seu interior e seria essa então a verdadeira revolução permanente que “decapita o rei” e as instituições sociais dominantes.

O profissional psicólogo deve agir em uma condição inseparável de ser humano, não devendo absorver nem anular o outro sujeito (BLEGER, 1984). O indivíduo encontra nas instituições um suporte e um apoio, um elemento de segurança, de identidade e de inserção social ou pertencimento, portanto, a instituição forma parte da organização “sujeitiva” da personalidade desses sujeitos, podendo-se dizer que o esquema corporal inclui a instituição ou parte dela e vice-versa (BLEGER, 1984).

Cabe ao psicólogo então fazer com que a tarefa realizada numa instituição sirva de meio de enriquecimento e desenvolvimento da personalidade (BLEGER, 1984). Em toda instituição acontece do sujeito se enriquecer ou se esvaziar como ser humano, o que chamamos de adaptação a submissão à alienação e a submissão à esteriotipia institucional (BLEGER, 1984).

Coloca-se em pauta qual é a imagem que a instituição tem do profissional psicólogo, pois a dinâmica relacional entre psicólogo e instituição e o nosso papel enquanto tais dependerá desta visão, e a pergunta é “fazer o que a instituição quer ou acha que a psicologia deve fazer, ou lutar pelo espaço que lhe é de direito na escola?”, e o objetivo que propomos é uma mudança que satisfará ou realizará a nós ou a escola?

Desde os primeiros contatos que o psicólogo estabelece com a instituição já deve ser definido o enquadramento da tarefa, o conhecimento das ansiedades frente à mudança, o grau de aceitação ou rejeição do psicólogo, as fantasias projetadas sobre o psicólogo, o grau de realidade e adequação das expectativas. O psicólogo deve avaliar e recolher desde o início todas essas impressões e observações para assim já conduzir uma impressão preliminar de caráter diagnóstico e também deve conhecer a história da instituição e suas características (BLEGER, 1984).

Nas escolas trabalhadas observa-se um fenômeno o qual os problemas são sempre lançados para fora da instituição, onde a maior demanda parte dos alunos, sendo estes indisciplinados, agressivos entre si e com o professor, diagnosticados com problemas de aprendizagens, realizando uma psicologização do indivíduo, onde a compreensão do sucesso ou do fracasso está nele e só nele. Pouco nos foi solicitado atividades junto aos professores ou a direção, fato que nos intriga, pois sabemos que não adianta fazer trabalho na base se a diretoria não esta bem. Nesses trabalhos sentíamos que quanto mais nos aproximávamos da “ferida” da escola, mais esta tentava nos lançar fora do sistema.  Esta análise é um recorte da instituição, em nosso caso nos sentimos um recorte, mas um recorte fora da instituição, nosso trabalho é visto como algo a parte e não integrado dentro instituição, onde esta acaba muitas vezes modificando para não modificar.

De acordo com Bleger (1984), o melhor grau de dinâmica de uma instituição não é dado pela ausência de conflito, mas sim pela possibilidade de explicitá-lo, manejá-lo e resolvê-lo dentro da instituição, sendo o conflito um elemento normal e imprescindível no desenvolvimento e em qualquer manifestação humana, durante o período de estágio foi possível perceber o movimento que a instituição faz para não haver conflitos, “encobrindo”, muitas vezes, os fatos para não ter que se ocupar com questões que necessitarão discussão, reflexão e tempo. Ainda de acordo com o autor, o psicólogo é agente de mudança e um catalisador ou depositário de conflitos, e as forças operantes na instituição vão tentar anular ou amortizar suas ações ou funções, cabendo ao psicólogo modificar essas forças e daí a importância do psicólogo não ser funcionário/empregado da instituição, pois este distanciamento permitirá ou facilitará que o psicólogo mantenha certa distância para não assumir os papéis que se projetam nele. Em psicologia institucional é impossível assumir dois papéis ao mesmo tempo, como assessor e como membro da instituição (BLEGER, 1984), assim numa escola o psicólogo não deve ser ao mesmo tempo psicólogo institucional e professor da equipe docente.

Lapassade (1977) diz que num sistema burocrático a comunicação só circula numa direção, do alto da instituição burocrática para a base, sendo que a cúpula não recebe de volta informações quanto as repercussões e a receptividade que teve as ordens, normas e regras que emitiu, e essa ausência de feedback constitui um dos traços essenciais do burocratismo. É neste sentido que entendemos a escola como uma instituição atrelada a um órgão maior, sem a possibilidade de repensar e debater as questões que lhe são impostas.

O que é preciso reprovar na burocracia e nos burocratas é que alienam fundamentalmente os seres humanos, retirando-lhes o poder de decisão, a iniciativa, a responsabilidade de seus atos, a comunicação, privando, portanto, os indivíduos de sua atividade propriamente humana (LAPASSADE, 1977). E foi essa burocracia que vimos nas escolas pois, quando inicia-se o estágio Supervisionado em Psicologia Escolar  tem-se como objetivo auxiliar a escola a atingir suas metas num trabalho que envolve toda essa comunidade escolar, através do auxilio de alunos, pais e professores a fim de promover a saúde preventiva bem como ajudar a facilitar o processo de ensino, procurando atender as demandas encontradas nas escolas. A escola que deveria ser um espaço criativo, lúdico, aberto para novas possibilidades, dinamizando e refletindo ao mesmo tempo que ensina, se mostrou uma escola cristalizada e instituída, um lugar hierarquizado onde o saber está apenas no professor e a submissão cabe aos alunos. Ao mesmo tempo vemos os sujeitos institucionalizados que já não mais se permitem “pensar”, “fazer” e/ou “tentar” ser diferente, são sujeitos assujeitados pela instituição e tolidos em suas concepções de mundo, de valores, onde o que vale é a lei imposta pelo mais forte, onde a sua própria vontade não tem vez, onde o fazer diferente não vale a pena, não ousa tentar desbancar o imposto.

A escola é uma instituição social regida por normas e regras que dizem respeito a organização escolar, aos horários, emprego de tempo, etc., portanto, a intervenção pedagógica de um professor sobre seus alunos baseia-se num quadro institucional a turma, a escola, a faculdade, o estágio, etc. (LAPASSADE, 1977). Na pedagogia tradicional, essas instituições impõem-se como um sistema a não ser discutido, mas a proposta de autogestão na escola é justamente propor mudanças nessas estruturas (LAPASSADE, 1977), constituindo assim o fazer do psicólogo institucional em prol do autogerenciamento.

Segundo Lapassade (1977), a burocracia pedagógica atual tem uma estrutura social na qual as decisões fundamentais são tomadas no sistema hierárquico, na cúpula. Ainda de acordo com o autor, existe uma hierarquia de decisões, passando do Ministro ao professor e este último dispondo apenas de certa margem de decisão no quadro de sistema de normas. Os diferentes graus de hierarquia garantem a transmissão e a execução das decisões fundamentais, mas os professores não participam do sistema de autoridade, que estanca no nível da administração (LAPASSADE, 1977), com base nesta prerrogativa pode-se pensar “como o professor pode transformar sua sala de aula em um lugar de discussão e produção do conhecimento se o mesmo não é vivenciado por ele em seu processo de formação?”.

Ainda de acordo com Lapassade (1977) a atividade de ensino é formadora, transformando objetos de intervenção (as crianças), entretanto a atividade burocrática nada transforma, ela apenas controla a transformação.

O movimento da pedagogia institucional tenta difundir dentro da escola real um novo modo de funcionamento e de relações humanas não burocráticas, onde a criança torna-se o centro da decisão, onde o grupo assume sua própria direção e caminha para sua própria autogestão (LAPASSADE, 1977). O pedagogo nega a si mesmo como poder e como burocrata, ele não toma as decisões no lugar do grupo, ao mesmo tempo em que não se coloca fora do grupo, recebendo um novo estatuto dentro do grupo que permite que ele se comunique, diga o que sabe e forneça as informações que possua, entrando, enfim, em integração com os outros membros do grupo, começando então a dar formação à esses membros (crianças) (LAPASSADE, 1977).

De acordo com Guirado (2009), o idealizador da Análise Institucional foi George Lapassade, psicólogo de formação, que passou a trabalhar com psicossociologia e prosseguiu com um intrigante caminho intelectual e político, o qual desembocou no movimento autodenominado Análise Institucional.

Segundo Lapassade (2005), a análise institucional surgiu a partir dos anos 30 visando à renovação dos hospitais psiquiátricos, surgindo então o conceito de psicoterapia institucional, e mais tarde o de analise institucional, visto que esses psiquiatras se interessavam pela análise ocorrida dentro dos estabelecimentos de atendimento, eles insistiam sobre a dimensão institucional das atividades coletivas organizadas terapeuticamente dentro das instituições hospitalares.

Apropriando-se dos conceitos da análise institucional percebe-se que o exercício da análise é um processo lento, onde a primeira tarefa consiste na aproximação dos funcionários, no conhecimento do local. É preciso ir inteirando-se desta realidade para poder formular uma intervenção eficaz. Conhecer o processo e fazer-se conhecer. Os momentos de descontração como o horário do intervalo, do cafezinho são situações oportunas para a observação do como se dá o funcionamento da instituição. Sabemos que as experiências de estágio ficam limitadas em virtude do tempo disponibilizado para as atividades, assim como o tempo de permanência dos estudantes na escola, que é de um ano. Isto nos leva a pensar que uma análise institucional com este espaço de tempo ficaria pelo caminho, assim nosso trabalho necessita ser pontual, focal, entretanto é possível plantar algumas sementes e torcer para que elas germinem, desde que a escola nos de abertura e esteja disposta a pensar, refletir, falar, escutar, problematizar – algo que ela raramente faz. Acreditamos que a reforma das instituições passa necessariamente pela reforma do pensamento dos que produzem as instituições do tamanho e do jeito que elas são.

A instituição designa ao mesmo tempo uma ordem instituída e o fato de instituir uma ordem, e são as realizações práticas (instituintes) que produzem os fatos sociais (instituídos) (LAPASSADE, 2005).

De acordo com Lapassade (1977), o grupo é constituído por várias pessoas em relação umas com as outras e que se unem por diversas razões: vida familiar, atividades culturais, profissionais, políticas, esportivas, amizade, religião, etc. e vivemos nesses grupos sem na maioria das vezes tomar consciência das leis de seu funcionamento interno.

Essas questões são vistas nas instituições escolares, por exemplo, quando os professores mantêm uma regra criada e ditada pela coordenadoria de educação da região, mas que talvez naquele contexto não faça sentido, ou que foi criada à muitos anos atrás e está inadequada, mas que por ser uma regra instituída por um grupo superior é acatada e não questionada.

Uma comunidade se define como um conjunto de pessoas que vivem juntas, no mesmo lugar e entre as quais se estabelecem certos nexos, funções em comum ou organização, portanto tem duas características principais: a geográfica, espaço onde acontece a vida das pessoas, e a funcional, são os aspectos que dão grau de coesão, de inter-relação, de unidade (BLEGER, 1984). A diferença entre a comunidade e a instituição é que nesta última os seres humanos não desenvolvem sua vida e sim só uma função dentro de sua vida, nas instituições, portanto os indivíduos exercem funções, tarefas que os unem, estabelecendo normas e nexos de todo tipo, tendo esta instituição objetivos definidos explícitos, já na comunidade tais objetivos não são explícitos, além de não haver uma tarefa comum que una esses sujeitos (BLEGER, 1984).

A realidade encontrada foi a de que, a maioria dos alunos fazem parte de uma classe social onde a miséria prevalece, tanto conservativa, quanto cognitiva. A realidade exposta a eles é quase como uma pena para vida toda, perpétua, é como se não pudesse sair daquilo e que fosse a única alternativa de vida, e muitas vezes a escola reforça essa condição não proporcionando novas alternativas, mostrando assim o quanto ela mesma está instituída em um modelo tradicional de funcionamento. A instituição escola deveria ser algo que oferece as pessoas um espaço para transformação, algo que faça as pessoas a pensar em melhorar e assim melhorar o todo, função que exige aperfeiçoamento e discussão constantes.

3. Considerações Finais

Gradativamente, a atuação das estagiárias de psicologia começou a fazer parte da rotina da instituição, o que provocou algumas formas de resistência visíveis: a interrupção das atividades em andamento, o pedido expresso pela instituição de que a Psicologia participasse de atividades programadas pela própria instituição, entrevistas/conversas com os pais dos alunos, a construção de um questionário para levantamento de banco de dados sobre os alunos, a não abertura para conversas com os professores e a conseqüente culpabilização dos alunos, fatores esses que apenas apontavam uma repercussão do nosso trabalho em nível institucional.

Um dos temas surgidos a partir das atividades do grupo dizia respeito à escolha profissional e ao planejamento de vida futura, também trabalhamos com as escolhas, auto-imagem e adolescência, foi então que o grupo percebeu que, por menores que possam parecer ser, há sempre novas escolhas a serem efetuadas, escolhas essas que podem levar nossas vidas a ganhar múltiplos caminhos.

Outra proposta foi o trabalho com os representantes de turma e a importância da liderança no contexto atual, bem como atividades que reforçassem valores como a amizade, o respeito às diferenças e aos colegas, etc. Isto nos faz pensar que o grande problema de hoje não é só de ensino, mas nas questões mais primitivas da educação básica, sem a qual o conhecimento não se efetua.

A adesão aos trabalhos e oficinas desenvolvidos pelas estagiárias foi praticamente total por parte dos alunos, momentos onde os jovens aproveitaram para tirar suas dúvidas, expor suas angústias, falar dos seus desejos, suas idéias para um ensino mais instigante, demonstrando terem assumido, em alguns momentos, uma nova postura diante da vida.

Sendo assim, cabe a nós futuros psicólogos mostrar possibilidades de fazer diferente, mostrar outros caminhos, outros rumos, para que essas pessoas possam voltar a ter a capacidade de pensar, de desejar, de refletir, pois só a partir dessas novas possibilidades que o individuo pode almejar novos fazeres para sua profissão e assim redesenhar sua história e seus caminhos.

Sobre os Autores:

Eloisa B. Barbiero - Acadêmica de graduação em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo/RS.

Flávia M. P. Albuquerque - Acadêmica de graduação em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo/RS.

Juliê Putrick - Acadêmica de graduação em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo/RS.

Renata Grando - Acadêmica de graduação em Psicologia pela Universidade de Passo Fundo/RS.

Referências:

BLEGER, J. Psico-higiene e psicologia institucional. Porto Alegre: Artmed, 1984.

GUIRADO, M. Psicologia Institucional. O Exercício da Psicologia como Instituição. Interação em Psicologia, Curitiba, jul./dez. 2009, (13)2, p. 323-333

GULA, P. e PEREIRA, N. Entre o limite e a esperança: Relato de uma experiência em Psicologia Institucional. Psicologia Ciência e Profissão. 2007, 27 (2), 358-367.

LAPASSADE, G. Grupos, Organizações e Instituições. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A., 1977.

LAPASSADE, G. As Microssociologias. Brasilia: Liber Livro Editora, 2005.

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